quarta-feira, 14 de março de 2018

‘It would not be much of a universe if it wasn’t home to the people you love.’

sábado, 16 de agosto de 2014

Sexta-feira morando em SP

Lanchonete e Churrascaria PASV

Hoje conheci um daqueles lugares que são intrinsecamente bons, como o Majórica no Rio de Janeiro, o Café Paulín de Buenos Aires, O Retorno de Barcelona, entre outros que tive o prazer de frequentar. O lugar se chama Churrascaria e Lanchonete PASV. Fica na Avenida São João, no hipercentro de São Paulo, um lugar que se você se distrair observando os travestis, os imigrantes haitianos e os usuários de crack, possivelmente não verá a entrada discreta do lugar e passará direto.

É um lugar que nunca se incomodou com o tempo. Na parede, tem um cartaz, bastante amarelado, que diz: “Hoje: cordeiro na brasa com batatas coradas e arroz com brócolis.”. Eu perguntei se hoje tinha cordeiro e responderam que sim, muito naturalmente. Mas pedi a meia bisteca, que dava para dois comerem. Deliciosa. Despistei-me e não vi que entre os acompanhamentos vinha um tipo de vinagrete, diferente, só com cebolas, alho, vinagre e salsinha. Estava comendo tudo seco e ainda assim achando muito bom. Aí veio a garçonete, de uns 70 anos, incomodada, e me repreendeu: “Não vai comer com molho não, meu filho?”. Obedeci imediatamente. Delicioso.

Antes do café chegar, a outra garçonete, também septuagenária, veio com um smartphone na mão e me pediu: “Como que eu faço pra ficar com a tela grande? Você tem cara que entende.”. O celular dela tinha acoplada uma antena de televisão – coisa que eu nunca tinha visto na vida – e estava passando a novela das 7.

Entrou um casal de meia idade, cumprimentaram uma das garçonetes velhinhas pelo nome, fizeram alguma piada, deram gargalhadas os três, sentaram-se e jantaram, calados, vendo a mesma novela das 7 na TV e tomando uma brahma.

Tomei o café. Também delicioso. Paguei e fui embora.

Não encontrei o Churrascaria e Lanchonete PASV por uma feliz casualidade, resultado do meu espírito desbravador, de aventureiro urbano. Encontrei, ridiculamente, no Guia da Semana da Folha de São Paulo. Algum pioneiro autêntico, muito mais corajoso que eu, entrou lá um dia e resolveu pedir um almoço, sem medo de se intoxicar com salmonela, botulismo, enterite ou cólera, ser baleado por um crackeiro e estuprado por um travesti. Achou muito bom, voltou pra redação e apresentou seu achado para o mundo que habito. Pelo menos ainda não saiu no Lonely Planet.

Comprar a Folha na sexta já é um dos meus maiores prazeres da vida. Leio todo o Guia da Semana, faço planos ambiciosíssimos, feliz e animado, e vou abortando um a um ao longo do final de semana até que, no domingo à noite, olho pra trás e vejo que o máximo que alcancei foi uma meia bisteca.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Reputação

"Ninety percent of the politicians give the other ten percent a bad reputation."

Henry Kissinger

domingo, 9 de março de 2014

Exílio

"Much of the exile's life is taken up with compensating for disorienting loss by creating a new world to rule. It is not surprising that so many exiles semm to be novelists, chess players, political activists, and intellectuals. Each of these occupations requires a minimal investment in objects and places a great premium on mobility and skill. The exile's new world, logically enough, is unnatural and its unreality resembles fiction. Georg Lukács, in Theory of the Novel, argued with compelling force that the novel, a literary form created out of the unreality of ambition and fantasy, is the form of 'transcendental homelessness'."

(Reflections On Exile: And Other Literary And Cultural Essays, de Edward Said)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Baía do Guajará

"Diego no conocía la mar. El padre, Santiago Kovadloff, lo llevó a descubrirla.
Viajaron al sur.
Ella, la mar, estaba más allá de los altos médanos, esperando.
Cuando el niño y su padre alcanzaron por fin aquellas cumbres de arena, después de mucho caminar, la mar estalló ante sus ojos. Y fue tanta la inmensidad de la mar, y tanto su fulgor, que el niño quedó mudo de hermosura. Y cuando por fin consiguió hablar, temblando, tartamudeando, pidió a su padre:
—¡Ayúdame a mirar!"

(El libro de los abrazos, de Eduardo Galeano)

(Baía do Rio Guajará, Belém do Pará, Brasil - Fev14)